Show do Queen no Rio (O Globo On Line)

Enviada por: Administrador
Data: 30/11/2008 13:19:48
Postado em: Queen News

Queen mantém a mágica e fica mais roqueiro com Paul Rodgers


Paul Rodgers e Brian May – Fotos de André Arruda

Com o perdão do clichê quem é rei nunca perde a majestade. No caso do Queen, rainha. O megashow apresentado na noite deste sábado na HSBC Arena, aqui no Rio, encerrou uma turnê de três meses iniciada em setembro na Ucrânia. A banda trouxe seu show integral ao Brasil com um telão enoooorme de pixels, mais de 100 moving light, seis canhões no palco e torres com uma combinação de luzes, tudo somando para um espetáculo plástico e multicolorido como não vimos aqui este ano.

A frase que mais ouvi nas semanas precedentes foi se ficaria bom com Paul Rodgers, isso quando não perguntavam “quem é esse cara?”. O cara é um tremendo cantor como viu quem lá foi. Sua presença deu uma cara mais roquenrol ao Queen, sem todos aqueles climas, influências e firulas de Freddie Mercury. Quando a banda cai no roquenrol como em “All right now”, canção da ex-banda de Rodgers Bad Company, e “Cosmos rocking” o bicho pega de uma maneira visceral, ainda mais porque está no palco um segundo guitarrista Jamie Moses, que toca com May desde 1993 e foi incorporado à turnê.


Brian May

Rodgers se sai bem nas músicas do Queen, mas em algumas delas, Brian May e Roger Taylor (bateria) assumem as vozes nos moldes originais como em “39”, “Kind of Magic” e “Love of my life”. Esta última um dos emocionantes momentos da noite. Brian sozinho com o violão sentado na ponta da passarela falou que ainda lembrava do coro de vozes na música do primeiro Rock in Rio em 1985.
– Ainda consigo ouvir vocês. Vocês querem cantar mais? Vamos cantar essa pro Freddie – pediu e o povo atendeu cantando a plenos pulmões. No final Brian enxugou uma lágrima.

Paul Rodgers é um vocalista bem diferente de Freddie Mercury. Ele não coloca tantas firulas na interpretação, é mais direto e roqueiro, sem aquele lado teatral de Freddie. Ele faz um rápido dueto com Freddie em “Boehmian Rhapsody”, dividindo os versos finais e canta uma estrofe também. Freddy leva o começo da música ao piano no telão e os músicos o acompanham ao vivo. Na parte do coral há uma retrospectiva no telão da carreira da banda, mostrando todos eles em diversas fases.


Roger Taylor

Solos instrumentais são tidos como coisa do passado. O Queen se utiliza deles sem pudor. Roger Taylor faz o seu de maneira original. Ele começa tocando os aros de um tambor e passa a batucar com as baquetas no baixo de pau de Danny Miranda com citações de “Underpressure” e “Another one bites the dust”. Depois passa a tocar bateria com poucas peças que vão sendo montadas pelos roadies até que ele tem o kit completo para se espalhar.

Nessa parte, Roger se diverte nos vocais de “I’m in Love with my car”, “Kind of Magic” e canta com Brian “39” acompanhado pelos músicos contratados, Miranda (baixo de pau), Jamie Moses (violão) e Spike Edney (acordeon). Quando cantou o coro com Brian pela primeira vez Roger fez cara de surpresa com o coro da platéia. A balada “Say it’s not true”, do album Cosmos rocking”, teve as vozes de Paul, Roger e Brian.

Brian faz um solo de guitarra brilhante com sons multiplicados, citação de “Keep yourself alive”, dos primórdios do Queen que tem direito a Freddie no telão cantando trechos de “Bijou” e ele emendou com a instrumental “Last horizon” de seu CD solo “Back to light” (1993). Bem breguinha se querem saber, mas com toda a ambientação funcionou.

Paul Rodgers teve suas partes no show em músicas de suas ex-bandas “Seagull” (voz e violão) , “Feel like making Love” com a banda (ambas do Bad Company) e “All right now” (do Free). Rogers se saiu bem em hits do Queen como “Tie your mother down”, “Fat bottomed girls”, “I wanna break free”, “Underpressure”, “The show must go on”. Do disco gravado pela nova formação entrou a faixa-título “Cosmos rocking” incendiando o começo do bis, “C-elebrity” sobre os famosos da hora, “Surf’s up school’s out, celebração das férias.


Paul Rodgers

Ver Brian May tocar vale o show inteiro. Ele é melódico, rápido sem exagero, muito preciso, sempre ilustrando as canções com solos criativos. Roger Taylor continua mandando muito bem na bateria e segura os vocais de algumas músicas para as quais acha que a voz de Rodgers não combina. Ele, Brian e os músicos contratados fazem vocais ao estilo do Queen que contrastam com a voz áspera do vocalista.

Sabe-se lá quando o Queen volta à estrada e ainda mais por aqui, onde esteve pela última vez em 1985. O público foi totalmente parceiro, empolgando-se cantando junto, batendo palmas compassadas em canções como “We Will rock you” e “Radio ga ga”. Saíram todos felizes, palco e platéia. É o que conta.
O Globo On Line (globo.com), 30/11/2008.





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