Ogre Battle: The March of the Black Queen (SNES)

Enviada por: Alexandre Portela
Data: 29/07/2011 21:13:28
Postado em: Queen News

Lançado em 1993 no Japão e em 1995 nos EUA, Ogre Battle: The March of the Black Queen é o que se pode chamar de clássico esquecido. Produzido pela Quest e publicado no ocidente pela Enix (antes da fusão com a Square), o título só recebeu 25 mil cópias em solo americano, relegando um dos melhores jogos de estratégia da geração de 16 bits ao ostracismo por alguns anos. Por sorte a Nintendo reparou o equívoco e lançou o título em 2009 no Virtual Console do Wii. Com uma história densa e diversos finais possíveis, definidos pelas atitudes do jogador, o jogo logo se tornou um dos clássicos “cults” da época do SNES.

“Após uma grande batalha pela existência da humanidade conhecida como “Ogre Battle”. Após a vitória dos humanos sobre os demônios, o mundo prosperou em paz. Mas não por muito tempo. Rashidi, um mago perverso, atiçou a Imperatriz Endora à lançar uma ofensiva pelo domínio do continente de Zetegenia. Como a paz reinava absoluta os reinos estavam despreparados para um invasão. Um por um todos caíram sob o poder de Rashidi e de Endora. O que eles não contavam era que no pequeno reino de Zenobia uma rebelião teria início, uma rebelião que poderia mudar o mundo”Imperatriz Endora e Debonair

Ogre Battle tem início com o grande vidente Warren fazendo uma série de perguntas à respeito da personalidade do futuro líder da rebelião que guiará o povo de volta à paz. Nesse início já é possível perceber a importância do ocultismo na história do jogo. A cada carta de tarô retirada do baralho, Warren faz uma pergunta com três possíveis respostas. A junção de todas as respostas define a personalidade do personagem do jogador.

Sua sorte nas cartas de tarô

Um dos elementos mais importantes do título é o sistema de cartas de tarô. Além de definirem a personalidade do personagem principal no início, elas vão alterando estatísticas e habilidades do personagem. Enquanto algumas cartas apresentam grande poder de batalha, outras cumprem sua função ao serem retiradas do baralho. Ao libertar uma cidade ou templo do domínio da Imperatriz, você tem as cartas de tarot te guiarão na jornadadireito a retirar uma carta do baralho. Cada carta garante um aumento ou redução em diversas características como a Força, Alinhamento e Reputação.

É exatamente a reputação o fator que determina como o exército da libertação vai ser visto pelo povo. Conforme vai libertando cidades no caminho e como batalha de igual para igual com os inimigos a reputação aumenta e atrai novos rebeldes para se aliar ao seu exército. Dependendo dos personagens recrutados o alinhamento do seu exército poderá sofrer alterações. Aliás o alinhamento é peça chave para as vitórias nas batalhas.

Alinhamento para cima, alinhamento para baixo

5 contra um não é algo digno de alguém ordeiroO alinhamento é um atributo flutuante, que pode sofrer influência das cartas de tarô, dos resultados de uma batalha e dos personagens utilizados para liberar cidades. O alinhamento (muito conhecido por quem já jogou Dungeons & Dragons) define o quanto seu exército está inclinado pela manutenção da ordem ou da anarquia no mundo.

O atributo flutuante ainda tem influência direta nas batalhas. Personagens caóticos (com alinhamento baixo) fazem mais dano durante a noite e personagens ordeiros (alinhamento alto) lutam melhor durante o dia. O alinhamento é tão importante que determina qual classe o personagem pode escolher. Personagens que prezam a honra e a ordem como Cavaleiros e Samurais precisam de um alinhamento alto para serem mais efetivos, enquanto ninjas e bruxos precisam de um alinhamento mais baixo para obterem sucesso.

O que eu escolho? São tantas opções!!!

A bruxinha pode ser muito útil em uma unidade mais fracaOutra característica “emprestada” do RPG e que notabilizou a série Ogre Battle é a árvore de classes. Cada personagem tem, à medida que evolui, uma série de opções de evoluções. A escolha correta das melhores combinações dentro de uma mesma unidade é determinante para o sucesso das batalhas. O grande desafio é manter as unidades balanceadas enquanto busca chegar às classes mais altas do jogo com seus personagens, sempre mantendo em vista o alinhamento de cada um, para não haver tropeços.

Beast Tamer um das classes disponíveisAlgumas classes são fracas, mas possuem poderes especiais, como os Doll Masters, especialistas no controle de bonecos inanimados. Apesar de possuir pouco poder, quando utilizadas em uma unidade juntamente com um Golem, eles elevam o poder do construto consideravelmente. Já outros classes são a síntese da apelação como os Lichs, que são magos que alcançaram o dom da vida eterna e podem conjurar três magias de área em uma mesma batalha. E por falar em batalha essa parte merece um destaque especial.

Estratégia, do grego strategía, do inglês strategy…

para fantasmas é só chamar o clérigoAs batalhas ocorrem ao haver um encontro entre duas unidades inimigas, formadas por até 5 soldados. Ao haver o tal encontro o jogador é transportado do mapa geral e tem uma nova perspectiva de sua unidade combatente. E é isso. O jogador não pode influir diretamente na batalha, apenas assistir se sua unidade está balanceada o suficiente para liquidar o inimigo. Ás únicas formas de intervenção do jogador ficam por conta das cartas de tarô, citadas anteriormente, e da escolha de como focar os ataques: no líder da unidade inimiga, no personagem mais saudável (com maior HP), no mais fraco (com menor HP) ou no melhor inimigo. A partir de então os personagens atacam automaticamente de acordo com um número pré estabelecido de vezes, dependendo de sua posição na formação da unidade: Cavaleiros fazem dois ataques na primeira fileira ou apenas um na fileira de trás. Já o mago pode atacar duas vezes com seu cajado na primeira fileira (com Batalhar contra dragões é fácil, quero ver derrotar os ogrosum dano ridículo) ou lançar duas magias na fileira de trás.

O formato de batalha automático permite ao jogador um leque infindável de possibilidades de combinações para suas unidades. Além de possuir personagens fortes, o jogador precisa utilizar cada um da melhor forma possível para extrair o máximo durante as batalhas. Da mesma forma em alguns mapas, personagens com habilidades específicas serão necessários, como grifos e polvos.

O resumo da Rapsódia

hora de planejar os próximos ataques...Antes de tudo, Ogre Battle: The March of The Black Queen é único. Seu sistema de batalha misturado com elementos de RPG, as cartas de tarô, o avanço de classes… Apesar de muitos desses elementos não serem nenhuma novidade na época, a maneira como foram utilizados fizeram desse game uma verdadeira obra prima. O gráficos eram muito bem produzidos, a história era densa o suficiente para obrigar o jogador a terminar o jogo várias vezes só para curtir cada um dos possíveis finais diferentes.

ogre battleO primeiro título foi tão bem recebido que, além de receber diversas sequências para o próprio SNES (Tatics Ogre, mais voltado para o lado tático de cada batalha, inspirou Final Fantasy Tatics), para o N64 (Ogre Battle 64: Person of Lordly Caliber) e Game Boy Advance (Tatics Ogre: The Knight of Lodis), o jogo foi remasterizado para lançamento no Sega Saturn e no PlayStation (a qual a maioria teve seu primeiro contato com a série).

Para arrematar a lembrança desse clássico uma curiosidade que não é tão segredo assim: tanto o jogo como mapas, lugares e personagens foram inspirados pela banda Queen. O próprio título do jogo é uma referência a uma das músicas da banda inglesa. Agora outra curiosidade que finais épicos para um jogo épicopoucos notaram: no mapa Pogrom Forest, no capítulo 6, todas as cidades têm nomes de estados brasileiros: Acre, Para, Lolaima, Goyas e até Matt’Gro!!

Para quem já jogou Ogre Battle, nunca é tarde pra rever esse clássico, e para quem nunca jogou… Bem, nós te perdoamos, mas faça um favor a si mesmo: jogue Ogre Battle agora!

Fonte: www.nintendoblast.com.br





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