Conhecendo a música #14 Bohemian Rhapsody

Enviada por: Alexandre Portela
Data: 26/07/2012 20:15:23
Postado em: QN Tube, Queen Outros

“Bohemian Rhapsody” é uma canção composta em 1975 por Freddie Mercury, integrante da banda britânica Queen, e incluída no seu álbum A Night at the Opera. Esta canção não possui refrão, e consiste de três partes principais: um segmento de balada que acaba com um solo de guitarra, uma passagem operística e uma seção de hard rock. Nela, Freddie Mercury, Roger Taylor e Brian May cantam respectivamente nas tessituras média, aguda e grave. May toca a guitarra, Taylor toca bateria, tímpano e gongo, e John Deacon toca o baixo elétrico.

Quando foi lançada como single, “Bohemian Rhapsody” se tornou um sucesso comercial, ficando no topo da UK Singles Chart por nove semanas e vendendo mais de um milhão de cópias até o fim de janeiro de 1976. Ela alcançou o topo das listas em diversos outros mercados, incluindo Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Irlanda e Holanda.
O single foi acompanhado de um vídeo promocional, inovador para a época, e popularizou o uso de videoclipes para lançamento de singles , além de ter sido considerado o marco inicial da “era da MTV”.Apesar de a reação crítica ter sido inicialmente dividida, particularmente nos Estados Unidos,”Bohemian Rhapsody” continua sendo uma das músicas mais populares do Queen.. A revista Rolling Stone a colocou na 163° posição da sua lista “The 500 Greatest Songs of All Time”, e considerou o seu solo de guitarra como o 20° melhor solo de todos os tempos.

História e gravação

Freddie Mercury escreveu a maior parte de “Bohemian Rhapsody” em sua casa, em Holland Road, Kensington, no oeste de Londres. O produtor da música, Roy Thomas Baker, relatou como Mercury tocou para ele o início da seção balada: “Ele tocou o início no piano, e então parou e disse, ‘E é aqui que a parte da ópera começa!’ E então fomos jantar”. O guitarrista Brian May disse que a banda considerou o projeto de Mercury para a música “intrigante e original, e que merecia ser trabalhado.”

Grande parte do material do Queen, de acordo com May, era escrito no estúdio, mas essa música já “estava na mente de Freddie” antes de eles começarem. A musicóloga Sheila Whiteley sugeriu que “o título se baseia fortemente na ideologia do rock contemporâneo, no individualismo do mundo boêmio do artista, com a rapsódia afirmando os ideais românticos do art rock.” Comentando sobre seu boemismo, Judith Peraino disse que “Mercury queria… [que essa música] fosse uma zombaria, algo fora do normal nas músicas de rock, e ela realmente segue uma certa lógica operística: coros de muitas vozes se alternam em solos melódicos, as emoções são excessivas, e o enredo é confuso”.

De acordo com Chris Smith (um pianista amigo de Mercury), Mercury começou a desenvolver “Bohemian Rhapsody” no fim da década de 1960. Mercury costumava tocar no piano partes de músicas que ele estava escrevendo, e uma de suas peças, conhecida como “The Cowboy Song”, continha letras que acabaram na versão completa que foi produzida anos depois, em 1975, especificamente “Mama… just killed a man.”

As gravações começaram no Rockfield Studios, próximo de Monmouth, em 24 de agosto de 1975, depois de três semanas de ensaio em Herefordshire. Durante a produção da música foram usados outros quatro estúdios (Roundhouse, SARM, Scorpion e Wessex). De acordo com alguns membros da banda, Mercury preparou a música mentalmente em antecedência, e dirigiu a banda durante a produção. Mercury usou um piano Bechstein, no qual ele tocou no vídeo promocional e no tour pelo Reino Unido. Devido à natureza elaborada da música, ela foi gravada em várias seções, e a junção foi realizada usando a batida da bateria para manter todas as faixas sincronizadas.

May, Mercury e Taylor alegadamente cantaram suas partes vocais continuamente de 10 a 12 horas por dia. Toda a peça demorou três semanas para ser gravada, e algumas seções exigiram 180 overdubs separados. Já que os estúdios da época ofereciam fitas analógicas com apenas 24 canais, foi necessário que os três gravassem a si mesmos muitas vezes e então juntassem tudo em sucessivas submixagens. No fim foram usadas fitas de até oitava geração. As várias seções de fita contendo as submixagens desejadas tiveram que ser cortadas com gilete e então montadas na sequência correta usando fita adesiva. Foi o single mais caro já produzido e uma das gravações mais elaboradas na história da música popular.

Composição e análise

A música consiste de seis seções: introdução, balada, solo de guitarra, ópera, hard rock e conclusão. Este formato, com mudanças abruptas de estilo, tom e andamento, era incomum em músicas de rock. Uma versão embriônica desse estilo já havia sido utilizada pela banda em “My Fairy King” e “The March of the Black Queen”.

Introdução (0:00–0:49)

A música começa com um coral a capella em quatro partes em si bemol maior – uma gravações em multicanais inteiramente de Mercury, apesar de o vídeo mostrar os quatro membros cantando esta seção. A letra questiona se a vida é “real” ou “apenas fantasia” antes de concluir que “não pode haver escapatória da realidade”.

Após 14 segundos, o piano entra, e a voz de Mercury se alterna com outras partes vocais. O narrador se apresenta como “apenas um pobre garoto”, mas declara que “não precisa de simpatia” porque ele “vem fácil, vai fácil”; um efeito cromático em “vem fácil, vai fácil” destaca a atmosfera onírica. O fim desta seção é marcado pela entrada do baixo e a familiar parte do piano em si bemol maior.

Balada (0:49–2:36)

O piano começa a parte em si bemol maior junto com a entrada do baixo de Deacon, marcando o início dessa seção. Depois de ser tocada duas vezes, a voz de Mercury entra. Durante o curso da seção, os vocais evoluem de uma harmonia suavemente cantada para uma apaixonada performance solo de Mercury. O narrador explica para sua mãe que ele havia “acabado de matar um homem,” com “uma arma contra sua cabeça” e, ao fazê-lo, jogou sua vida fora. Essa seção “confessional”, comentou Whiteley, é uma “afirmativa da carinhosa e vivificante força do feminino e da necessidade de absolvição.” A linha cromática do baixo faz uma modulação para mi bemol maior,o que sustenta o clima de desespero.É nessa altura (1:19) que a bateria de Taylor entra (apresentando o ritmo 1-1-2 de “We Will Rock You” em formato de balada), e o narrador faz a segunda de diversas invocações por sua mãe no novo tom, reutilizando o tema original. O narrador explica seu arrependimento por “fazê-la chorar” e pede à sua mãe que “continue como se nada importasse” para ele. Uma breve variação descendente do piano conecta com duas repetições da parte em si bemol maior, introduzindo o segundo verso.

Enquanto a balada prossegue em seu segundo verso, o narrador mostra quão cansado e abatido ele está por suas ações (enquanto May entra na guitarra e imita a tessitura superior do piano aos 1:50). May imita outro objeto de percussão (uma bell tree) durante a linha “sends shivers down my spine”. O narrador dá adeus ao mundo, anunciando que ele tem que ir, e se prepara para “encarar a verdade”, admitindo que “Eu não quero morrer / Algumas vezes eu gostaria de nem ter nascido”. Nesse momento começa o solo de guitarra, que eventualmente passa por uma modulação com uma rápida série de notas descendentes, que levam a tonalidade para lá maior, marcando o início da seção “ópera”.

Solo de guitarra (2:36–3:03)

Enquanto Mercury canta a linha ascendente “Algumas vezes eu gostaria de nem ter nascido “, o volume de som aumenta, chegando ao solo de guitarra tocado e composto por May, que serve como uma ponte entre a balada e a ópera. A intensidade continua a crescer, mas assim que a nova tonalidade é estabelecida a banda emudece abruptamente aos 3:03, exceto pelo piano.

O produtor Baker lembrou que o solo de May foi feito em apenas uma faixa, ao invés de gravar faixas múltiplas. May afirmou que queria compor “uma pequena melodia que seria uma contrapartida da melodia principal; eu não queria apenas tocar a melodia”. O guitarrista disse que seu melhor material provém dessa forma de trabalho, na qual ele pensa na melodia antes de tocá-la: “os dedos tendem a ser previsíveis, a não ser que estejam sendo controlados pelo cérebro.”

Ópera (3:03–4:07)

Uma rápida série de mudanças rítmicas e harmônicas introduzem uma seção intermédia pseudo-operística, que contém a maior parte dos elaborados vocais, representando a descida do narrador ao inferno. Apesar de o pulso básico da música ser mantido, a dinâmica varia muito de compasso para compasso, desde apenas a voz de Mercury acompanhada pelo piano, até um coro de várias vozes apoiados pela bateria, baixo, piano e tímpano. De acordo com Roger Taylor, a sua voz combinada com as de May e Mercury criou um amplo alcance vocal: “Brian podia alcançar notas muito baixas, Freddie tinha uma voz poderosa nas notas médias, e eu era bom com as notas altas.” A banda quis criar “uma parede de som, que começa baixa e vai até o alto.”A banda usou o efeito de sinos para as expressões “Magnifico” e “Let me go”. Além disso, em “Let me go”, Taylor, cantando a parte mais alta, continua por um tempo após o “coro” ter parado de cantar.

Referências líricas nesta passagem incluem Scaramouche, o fandango, Galileo Galilei, o Figaro, e Bismillah, enquanto facções rivais lutam pela alma do narrador. Peraino chamou a sequência tanto de “um julgamento em quadrinhos” e “um rito de passagem… um coro acusa, outro defende, enquanto o herói apresenta a si mesmo como pacífico e astuto.” A introdução da música é lembrada em “I’m just a poor boy, nobody loves me”. A seção conclui com um tratamento completo de coral na frase “Beelzebub has a devil put aside for me!”, num bloco em si bemol maior. Usando a tecnologia de 24 faixas disponível na época, a seção “ópera” demorou cerca de três semanas para ser finalizada.

Hard rock/Heavy metal (4:07–4:56)

A seção operística leva a um agressivo interlúdio musical hard rock/heavy metal, com um riff de guitarra escrito por Mercury. Aos 4:15, Mercury canta palavras raivosas dirigidas a um “você” não especificado, acusando-o(a) de traição e abuso e insistindo que ele(a) “não pode fazer isso comigo” – o que poderia ser interpretado como um flashback para certos eventos que levaram à seção de balada (“acabei de matar um homem”). A guitarra toca três passagens ascendentes, e Mercury novamente executa uma parte em si bemol maior, enquanto a música se aproxima do final com um ritardando.

Conclusão (4:56–5:55)

Depois de May tocar algumas notas, a música retorna ao tempo e forma da introdução, inicialmente em mi bemol maior, antes de rapidamente mudar para dó menor, e logo entra em uma série de modulações curtas, voltando ao dó menor em tempo para a seção “nothing really matters” final. Uma guitarra acompanha o coro “ooh, ooh yeah, ooh yeah”. Uma melodia é tocada por um amplificador criado por John Deacon, carinhosamente apelidado de “Deacy Amp”. A linha de Mercury “Nothing really matters…” aparece novamente, “embalado por leves arpejos de piano, sugerindo tanto a resignação (tonalidades menores) quanto um novo sentido de liberdade no amplo leque vocal.” Depois que a linha “nothing really matters” é repetida várias vezes, a música finalmente acaba em mi bemol maior. A última parte da letra, cantada calmamente, “Anyway the wind blows” é seguida pela batida de um gongo, que marca o fim da música.

 

Fonte: http://biographyrock.blogspot.com.br
Dica de: Roberto Mercury





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